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sexta-feira, 4 de maio de 2012

A modernidade e a arte


Quando foi que toda a beleza passou a ser motivo de ridículo? Não me lembro da última letra de música que me chamou à atenção, mas sei que o compositor está morto ou aposentado. Sinto falta da época, que não vivi, em que se era valorizado o conteúdo, a mensagem. Por mensagem não falo dessas frases positivas de música que mais parece palestra motivacional de “administradores de sucesso”. Isso é só masturbação para o ouvinte. Falo daquelas músicas profundas e poéticas que existiam, mas hoje parecem ter sumido. Amor virou vingança e dor de corno, não vi uma música atual que retratasse o amor de forma apropriada e é único tema abordado. Amor ou balada, onde jovens que não sabem beber destroem boas doses de uísque de qualidade o misturando com energético, enquanto ostentam o dinheiro que não tem, para mulheres (me dói à alma chama-las de mulheres, tanto que vou inventar um termo – pós-adolescentes - aqueles que cresceram, mas insistem em agir como se tivessem 15 anos, vale para homens também) facilmente impressionáveis que dão para o primeiro que tiver um Corsa ’99 rebaixado, com farol xênon, som mais caro que o carro em si para incomodar a vizinhança as quatro da manhã e uma garrafa de uísque red label ou vodka absolut. Sinceramente sou a favor da esterilização dessas pessoas, quero melhorar a sociedade evitando que reproduzam, mas não posso impedir, eles reproduzem e mais do que o resto de nós, gerando mais um grupo de admiradores da “arte” atual. Acabou-se a poesia, toda literatura na verdade (maldita seja a autoajuda), a música e, logo com essa história do “esqueça o roteiro e faça 3-D”, o cinema. Não morreram ainda, mas estão em coma, com seus poucos defensores, gosto de acreditar que ainda existem, marginalizados pela sociedade, esquecidos. Sei que toda a geração inferioriza a sua sucessora e defende as anteriores, mas creio que estes tinham razão em fazê-lo. Os anos passam e tudo piora.

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